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segunda-feira, outubro 06, 2003

Pessoas Admiráveis

Tenho aqui um calendário de uma associação que sinceramente não sei qual é (devia estar na capa o nome, mas já a arranquei), em que cada mês tem uma imagem pintada com os pés ou com a boca por deficientes motores. Como está pendurado mesmo à frente dos meus olhos, penso muitas vezes na tenacidade e no enormíssimo talento das pessoas que pintam estas imagens.

Sinceramente, não sei se teria a força de continuar a fazer fosse o que fosse se me visse numa situação destas.

Como este blog também quer ser edificante, aqui fica o mês de Outubro para pensarmos todos na sorte que temos e colocar em perspectiva todos os nossos problemazinhos.


Pintado com a boca

Novamente as praxes

Parece que um grupo de caloiros simulou um assalto a um banco em Oeiras, causando o pânico entre os clientes, numa situação que acabou por envolver polícia e tudo.

Todos os anos há merda. Todos os "veteranos" deviam já saber que a comunicação social cada vez mais se pela por estas histórias. Mesmo que lhes falte o bom senso para perceber que uma coisa destas podia ter tido consequências gravíssimas (um cliente podia sofrer do coração, a polícia podia ter disparado antes de pensar como acontece por vezes, etc.), nem que fosse por receio da exposição pública, deviam abster-se destas coisas.

Os caloiros em questão enfrentam a possibilidade de serem expulsos, porque, caso haja dúvidas, simular um assalto é ilegal. Mas, curiosamente, não ouvi falar nada sobre a pena a aplicar aos "veteranos" que, em última análise, são os mentores e responsáveis por esta brincadeira estúpida. A Associação de Estudantes sacode literalmente a água da capa académica e diz que nenhum dos envolvidos no assalto fazia parte de alguma entidade da Faculdade. O que não admira, porque eram CALOIROS acabadinhos de entrar. Carne fresca, portanto.

Aposto que estes onze caloiros se sentem agora muito mais integrados, e que nada dissolverá os laços de amizade estabelecidos com os colegas mais velhos. Não acham?

Resmas de cliques

Este fim-de-semana, pela calada da noite e sem eu dar por isso, alguém deu um clique e foi a visita número 5.000 do meu bloguito, desde dia 1 de Agosto que foi quando pus o contador.

É evidente que metade dessas 5.000 page views foram feitas por mim mesma, que isto vicia mais que o tabaco; devia haver um aviso em letras garrafais ali em cima, em vez da publicidade do Blogger: BLOGAR PODE CAUSAR DEPENDÊNCIA - BLOGAR PODE PREJUDICAR O RENDIMENTO LABORAL - BLOGAR PODE REDUZIR AS HORAS DE SONO.

Mesmo assim, 2.500 visitinhas foram feitas por vocês, alguns porque gostam de mim, outros à procura de coisas como "clips de sexo com cavalos" (don't ask).

Obrigadinha a todos (sim, mesmo ao tipo dos cavalos...) e façam favor de não me abandonar, que já não posso passar sem vocês...

Um dia

Um dia vou ter coragem de fazer uma tatuagem. Já sei qual é e tudo, aos anos que cortei uma foto de uma revista. Tenho medo que doa, e assusta-me muito a ideia do definitivo. Mas estou convencida que quando me chegar a crise da meia-idade vou perder os medos e as paranóias.

Para quem não tem um único dente do siso, nestas coisas sou uma rapariga muito ajuizadinha.

domingo, outubro 05, 2003

Mania de Sermos Diferentes

Estava aqui a beber a bica com uns amigos, um deles natural da Roménia. Pergunta-me ele qual a palavra para chamar o empregado de mesa, e chegámos à conclusão que em todo o lado há uma palavra específica para esse efeito, o waiter inglês, o garçon francês, e o não-sei-quê romeno que é uma daquelas palavras com muitos ós e ésses.

Nós, por cá, expliquei-lhe eu, tratamos os nossos empregados de mesa por ó faxavôr.

sábado, outubro 04, 2003

Olha o grande malandro....


Toma!

O dinheiro dos nossos impostos...

Este é o impresso para enviar telegramas das estações dos CTT:

Impresso

Este é um pormenor de parte desse impresso:


Pormenor do Impresso


Repararam em alguma coisa estranha? Estes são os impressos novos. Não sei quantos milhares deles, às nossas custas.

sexta-feira, outubro 03, 2003

Música

Já que tanto se falou da música do meu blog num post ali para baixo, devo dizer que tenho um grande desgosto. Ainda não tive tempo para descobrir como converter as músicas para o formato .ram que é pequenino e não demora muito tempo a carregar, e acho que também não sei muito bem fazer depois upload delas para o meu site que serve de armazém às fotos e imagens minhas que aqui ponho. Dêem-me lá um desconto se faz favor, que tudo o que aqui vêem não foi nada aprendido, é tudo coisas que eu descobri sozinha...

Mas, voltando ao meu desgosto, é não poder aqui pôr as músicas que eu quero e ter de me sujeitar a um site que encontrei na net de onde vou sacando umas fixes, mas não as MINHAS músicas... e nomeadamente coisas portuguesas.

O que eu queria era que alguém me dissesse se conhece algum site com músicas nacionais, ou mesmo estrangeiras, para aumentar a possibilidade de escolha, ou então que me explicasse assim em três linhas e com palavras fáceis como resolver os problemas do primeiro parágrafo.

Se eu conseguir, começo a aceitar pedidos, boa? Com frase e tudo, como no "Quando o Telefone Toca" (as coisas de que eu me lembro, mas juro que ainda era pequenina...)

Antecipadamente grata, sempre às ordens de V. Exas., atenciosamente (e já agora bom fim-de-semana).

Um já caiu

Lá se demitiu o Ministro da Educação. O que as greves e as diversas manifestações estudantis, anais ou não, não conseguiram, conseguiu-o o escandalozinho da filha do ministro.

Vergonhoso, vergonhoso, é isto andar já na imprensa estrangeira. Somos decididamente a república das bananas da Europa.

Coisas de Gaija

Vocês homens não sabem destas coisas, mas as mulheres só conseguem levar a mala sem esta escorregar num dos ombros. No meu caso, o esquerdo. No outro a alça não se aguenta.

Caloirada

Metro da Baixa-Chiado, conforme começo a descer oiço gritaria, primeiro pensei que fosse uma claque de futebol, depois lembrei-me que hoje não há bola. No segundo lance de escadas cruzei-me com eles. Os veteranos vinham pelas escadas rolantes e esperavam pelos caloiros, que vinham pelas outras que não se mexem.

Vestidos com sacos do lixo, pijamas e camisas de dormir, enfeitados com laços e écharpes de papel higiénico, irreconhecíveis debaixo de carradas de tinta encarnada e espuma da barba (digo eu).

Entoavam em coro qualquer coisa que não consegui perceber, mas que tinha muitas terminações em "alho" e "uta". Iam com certeza desfilar pelo Chiado.

É fácil de ver que isto facilita tremendamente a integração na faculdade, o que aliás era evidente pelas expressões angustiadas dos "piquenos" e pela forma como desviavam os olhos das pessoas que se cruzavam com eles.

Bem Feita

Hoje vi um carro estacionado mesmo encostado aos contentores do lixo, e alguém tinha deixado os seus dois sacos de lixo, atafulhados de espinhas de peixe e cascas de banana, em cima do capot.

Alguém vai ter de dar uma mangueirada no BMW.

quinta-feira, outubro 02, 2003

Por falar em comida...









Não, não é uma composição artística. Foi mesmo o nosso jantar, nessas mesmas férias, numa pensão em Vigo: feijoada de lata no saco de plástico.











Sandes de Milho

Nas mesmas férias do post anterior, vimo-nos em Valença do Minho sem um tostão para além do necessário para pagar a pensão, a um domingo, e a única caixa multibanco não tinha dinheiro.

Jantámos sandes de Panrico com milho, as únicas vitualhas que nos tinham sobrado, sentados à janela do quarto, enquanto uma mãe berrava lá fora para o filho: "Anda jantar, está o comer na mesa!".

Museu Soares dos Reis

Uma vez, numa visita ao Museu Soares dos Reis no Porto, eu e o meu amigo JB entrámos numa sala e andávamos deliciados a examinar as peças de mobiliário e os quadros nas paredes, quando um funcionário muito aflito nos veio pedir para sairmos se faz favor do gabinete do senhor director.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Deviam fazer...

... uma estrada com muros altos dos dois lados e portões com guardas armados, para quem só quer dar umas voltinhas curtas deste lado, que não tivesse ligação nenhuma a sítio nenhum que pudesse eventualmente ir dar à ponte.

Hoje estive tão perto de enfiar a cabeça de fora da janela e gritar "Porra, eu não quero ir para Lisboa! Saiam da frente, seus anormais!!", que tive de me sentar em cima das mãos para não abrir a janela.

Grandes Mistérios - A Proliferação Automóvel e a Chuva

Tenho cá esta teoria que os carros são como os cogumelos, que se multiplicam quando chove.

Custa-me a acreditar que haja uns milhares largos de pessoas que, assim que vêem cair uma aguita, pensam para os seus botões: "Olha, já chove. Está na altura de tirar o carro da garagem". Até porque, se formos a ver bem, os transportes públicos continuam igualmente cheios.

Isto só pode ser um caso de geração espontânea. Estou sempre à espera de, nos dias de chuva, chegar ao pé do meu chasso e ver três iguais muito bem alinhadinhos.

Fim-de-Semana de Galinhas

Eu, a minha irmã e mais três amigas, vamos fazer um fim-de-semana de galinhas. Quem tem maridos larga os maridos, quem tem filhos larga os filhos, somos só nós, durante três dias, nós, as nossas agulhas de tricot e as nossas tesouras.

Vamos para Sul, para o Algarve, que é uma maravilha no Inverno, odioso no Verão.

Esperam-se sessões de mexeriquice escaldantes, declarações de amizade eterna depois da segunda garrafa de vinho, e muitos episódios bons para contar aqui no blog (se me conseguir lembrar deles). Infelizmente, é só no primeiro fim-de-semana de Novembro, ainda falta tanto...

Cada vez que estamos umas com as outras já só falamos disso. O que esta malta precisa de uma quebra na rotina, nem vos conto.

Secura

Não me acontece nada. Só me chegam contas para pagar. Isto anda de tal maneira monótono, que quase me apetecia andar ainda a empilhar rolos de papel higiénico e laranjas podres e a mostrar o rabo aos reitores.

Tenho de sair mais, caraças...

O meu medo de terramotos

Ouvi dizer que, em caso de terramoto em Lisboa, o sítio mais seguro é a Ponte 25 de Abril.

O que, tendo em conta as minhas vertigens e pânico da dita ponte, é um caso clássico de "é pior a emenda que o soneto".